"A reflexão da lhama"

domingo, 18 de novembro de 2012

Entre para essa igreja


Senhor, venho lhe fazer uma oferta,
Sei que você é a pessoa certa.
Feche os olhos e abra o bolso,
Aja apenas por impulso.
Por apenas dez parcelas
De tudo que tem em sua vida
você garante ao céu a sua ida.
Venha! entre para a nossa igreja
Traga sua fé e seu dinheiro em nossa mesa.

Por Figueiredo, Cristal

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Hoje acordei

Hoje acordei como as margaridas do meu jardim
Delicadas e leves apesar do mal tempo
Hoje acordei como o canto do sabiá
Suave e alegre apesar do desamparo
Hoje acordei como a muito tempo não tenho acordado
Feliz e em paz, apesar de ter de deixar algo importante para trás. 

Por Figueiredo, Cristal

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O que falar?

O que falar sobre aquilo que não nos é falado?
O que falar sobre as formas de amar,
Ou de nada sentir?
O que falar quando já não resta palavras,
E muito menos vontade?
O que falar sobre daquilo que já foi dito
E incontestado?
O que falar sem falar nada, apenas sorrindo
Ou morrendo sem suas falas.


Por Figueiredo, Cristal

sexta-feira, 19 de outubro de 2012


Sinto dores na minha cabeça
Vendo as coisas que não quero
Dormindo na pior cama do mundo

Apenas tentando viver uma vida de mentiras

Tentando ser o que posso
E sonhando com coisas que não tenho

Colocando pontos no final

Comprando coisas pra comer
Passando os dias só vivendo

Vendo a felicidade distante

Sentindo-me só 
Como um livro esquecido na estante

Ouvindo musicas que ninguém ouve

Sentindo coisas que nunca senti
Ajudado pela inexperiência da juventude

Talvez mude a maneira de interpretar

Os textos da faculdade
Mudando o jeito do professor ler

Escrevo texto do começo para o fim

E mudo a direção
Começo da direita pra esquerda, e vou na contramão

Sem esperança de encontrar um semelhante

Vou andando na multidão
Esbarrando em todos e sentido suas mãos

Todos aqueles com quem quis falar

Agora se recusam em me olhar
Preocupados com suas vidas

Tenho poucos amigos

Mas a amizade não é recíproca
Infelizmente essa é a verdade

Esse é quem eu sou

Mas não se assustem
Eu sou um cara normal

Mas é dificil 

Ser o que somos 
ignorando o que queremos ser


Por Silva, Paulo

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Falta chuva no sertão


Chove chuva de prata plástica
Chove lágrimas de alegria causadas pela dor
Chove sede e falta água
Chove vidas acabadas
Chove tudo sem chover nada
Chove inteligência dos ignorantes
Chove luz na completa escuridão
Chove tristeza nos olhos da esperança
Chove tudo, menos chuva no sertão.

Por Figueiredo, Cristal

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Inutilmente, eu


Eu que aqui estou
Cansada de pedir
E dar opiniões
Calo-me
Pois nada mais vejo
E nada mais sei

Eu que nada mais faço
Além de comer e dormir
Aqui escrevo inutilmente
Sob o olhar repressor
Dos ignorantes
Que hoje sugam
Minha boa vontade

Por Figueiredo Cristal

Morador de rua


E se eu pensasse como um morador de rua?
Caminhar sem rumo
Sem obrigação sem preocupações
Sem pensar em que horas voltar pra casa
Sair e não voltar
Ter a rua um eterno lar.

E se eu me tornasse um morador de rua?
Sem me preocupar com a sujeira, com o emprego
Sem me preocupar com visitas, com casa limpa
Com o que vão pensar da pintura da minha parede
Com o que vão falar da grama do meu jardim
Sem viver de ninguém, viver de mim.

E se eu deixasse de ser um morador de rua?
Ter todo um conforto, ter um teto
Comida quentinha na mesa, cama aconchegante
Ter um cachorro saudável, ter amigos e a eles dar confiança
Saudade de tudo isso, desde que virei morador de rua
Só resta a esperança.

Por Figueiredo, Cristal

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Se me arrependo?


Não é uma questão de arrependimento
Mas trocaria tudo por voltar a 4 anos atrás
Era tudo tão bonito
Poderia não ter conhecido tanta gente
Gente que hoje seca minha paz
Poderia não ter tido um ex namorado
Que quase me fez perder a pessoa que mais amo
Poderia ter feito mais coisas
E dormido menos
Poderia ter vivido mais
Não digo intensamente
Pois o mais perto de intenso que já cheguei
Foi andar de montanha russa (?)
Poderia ter sido mais corajosa também
E enfrentado muitos medos
Medos que me fazem não abrir os olhos de manhã
Poderia ter dado mais votos de confiança a mim
E menos aos outros
O que sempre foi um erro meu, achar que para mim ninguem mente
Poderia ter passado mais tempo tentando ser bonita
E menos tentando agradar aos outros com o meu carisma
Poderia ser tudo de uma outra maneira
E hoje ser eu bonita
Continuar com a minha melhor amiga,
Bom isso nunca mudou,
Mas foi por pouco.
Poderia ter vivido com mais gente inteligente
E menas gente com status,
Poderia ter feito muita coisa diferente.

Por Figueiredo, Cristal

terça-feira, 2 de outubro de 2012

É complicado o meu santo


É complicado quando o meu santo e forte
Bate e não quebra
Briga e não racha
Cai e não se despedaça

É complicado quando o meu santo não aguenta
Se estapeia e não sente a dor
Se xinga e não baixa a cabeça
Tem razão sem considerar a outra opinião

É complicado quando o meu santo é dono da verdade
Acha que é melhor e no fundo é igual
Acha que ta certo e nem tem certeza
Acha que consegue viver sem e nem vida tem


Por Figueiredo, Cristal

domingo, 30 de setembro de 2012

Verme Repugnante


Este verme repugnante que envolve e come a alma dos frágeis e não amados
Enterrados em desilusões e discussões,
Tudo por falsas ideologias, por falsos amores, por falsas palavras,
Por falsas verdade, por falsas lágrimas, por falsos abraços,
Falsos pedidos de "fique, não me abandone, não me odeie, eu te amo, me ame".
Tentavam me segurar, e ao mesmo tempo segurar todo mundo,
Todo mundo que é puro e inocente,
Todo mundo que nele acredita, e lhe confia a vida,
Todo mundo que ainda há de abrir os olhos e o abandonar
No pior de seus momentos, suas dores, nas suas únicas lágrimas sinceras, 
Aquelas que dizem ter medo de acabar só nesse mundo que lhe fez tão cruel e egoísta.
Até que sua morte seja brindada com a melhor taça de espumante
Por aqueles que cansaram de correr e fazer de tudo por um verme repugnante, 
Que nada jamais mereceu a não ser a solidão e a dor que ainda há de vir 
E lhe cortar a cabeça.


Por Figueiredo, Cristal 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Surto ao atender o telefone


Uma chamada de algum ser inútil
Um pouco de simpatia,
Respira fundo,
-Alô?
Deliga a chamada
Respira ofegantemente
Pensa e ver gente morrer
Outra chamada
Começa a tremer,
Urrar de raiva,
Gritar pela casa
Chutar as portas
Jogar copos nas paredes
-Alô, quem é?
Parece mal educada, coitada
Mas só esta alterada.

Por Figueiredo, Cristal

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Voe passarinho


Voe passarinho
Para longe do seu antigo ninho,
Naquela velha e imunda gaiola enferrujada
Com o meu rancor

Voe passarinho
Para muito longe
Antes que o meu ódio tome conta
E lhe ponha fogo

Voe passarinho
Na liberdade que sempre quisestes
Nas loucuras que sempre sonhastes
Nos impulsos que sempre fizestes

Voe passarinho
Pois agora é tarde demais
Não torne a esta velha gaiola que agora se fechou
E fique longe de todo tipo de lembrança do antigo ninho

Voe passarinho
Voe de pressa por favor
A velha gaiola agora é um cassador a procura de sua morte
A procura do seu corpo em uma panela com arroz


Por Figueiredo, Cristal

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Depois de muito sexo, muito amor


Gosto quando você esta ali dormindo
Depois de muito sexo, muito amor,
Ouvir tua respiração, teu silencio
Meu pesamentos sem pudor

[Esquecendo das horas vivendo o momento]

Eu sonho sempre acordada
Te olhando daqui do teu lado deitada
Sorrindo imaginando coisas
Cansada e pelada

Os aromas suaves bailam pelo ar
Fico pirada, parada, tentando me segurar
Louca para acordar você mais uma vez
Embriagada de amor e de nudez

Quero que sinta a necessidade de me ter
Posso não ser dona da sensualidade
Mas consigo lhe dar que seja só um pouco de felicidade
Em troca de me fazer tremer

Aquelas gotas misturadas do nosso suor
Os teus cabelos tão lindos molhados
Uma troca de calor
Em abraços nus e apertados

Nossas roupas jogadas no chão
Na cadeira, na mesa do computador
Loucos de tesão
Possuídos por um tal de amor.


Por Figueiredo, Cristal

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Faça o favor


Quando cruzares por mim na rua,
Faça o favor de não me olhar
faça o favor de não me considerar mais tua
E nem mesmo dirigir sua palavra a mim.
Não quero que me escute
Nem que escute a voz que não é mais tua
E tão pouco minha,
a voz que grita na rua.
Não quero que saibas como estou,
Que estou completamente nua
Já não sabes por onde estou
Se dormi sob o olhar da lua
Ou na casa de mais um homem rico
Que agora paga o leite dos teus filhos.

Por Figueiredo, Cristal

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Greenpeace: Liga das florestas.


Gente, vamos assinar esta petição, é importante para mim, para você e para o futuro da fauna e flora da nossa amazonia. Obrigada.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O quarto de gritar da mamãe

Minha mãe disse que lá em casa tinha um quarto de gritar. Eu não sabia bem pra que servia. Que dizer, um quarto de gritar só serve pra isso? A principio era. Ela dizia... “Nina, lá dentro você pode gritar o quanto quiser! Ninguém te escuta...”. Ela geralmente ficava horas lá. Não se escutava nada. Nadinha. Eu não podia entrar. Nunca pude. As vezes se via, assim de soslaio, que lá dentro tinha cama e parede branca.  Depois de um tempo, comecei a perceber os tipinhos estranhos que entravam lá. Uns velhos gordos. Uns de cabelos estranhos. Carecas. Uns cheiravam a tabaco. Álcool. Outros a perfume barato. E, sabe, mulheres também. Mamãe dizia que eram amigos e amigas. Eu acreditava, mas a regra era nunca cumprimentar eles. Tinha também as quintas-feiras. Quinta era meu dia preferido, não porque minha mãe nunca estiva... Era a sensação de ser dona de si mesmo. Andar pela casa. Usar as roupas dela. Os perfumes em vidros coloridos. O batom, o vermelho... “Vult nº1”, mamãe tinha aquele ar de atriz de filme antigo. Isso se considerar o fato de sempre estar de cinta-liga e, não sempre, espartilhos sensuais. Eu adorava a ver por horas, desfilando com o telefone na mãe. Foi numa dessas quintas que apareceu um dos amigos da mãe. Ele bateu na porta. Eu corri com a boca cor de flor, e os sapatos altos. Só com uma camisola de pijama, cheia de bichinhos. Abri a porta e ele tinha aquele cigarro na boca. Jogou a fumaça no ar. O cheiro sempre me deixou meio tonta. Tinha a voz bem grave, devia ser por causa do tabaco. “A Janine tá ai?”. Eu disse que não, mas ele foi entrando... “eu espero”. A mãe sempre disse que educação é importante, então fiquei na sala também. Ele cruzou as pernas, sentado no sofá como se fosse rei daquele lugar. O que não era. Eu liguei a tv, não gostava do silêncio acompanhado. O cigarro continuava flutuando no ar. Me prendeu a atenção no começo. Pareciam pequenos animais correndo pelo teto da sala. Mas depois percebi que ele não estava assistindo televisão. E eu comecei a ficar meio encabulada com aquilo. A quinta nunca tinha sido tão estranha. Eles geralmente só vinham com a mamãe.  Ele se ajeitou no sofá. Descruzou as pernas. Deixou-as bem abertas, afastadas, como se tivesse o mundo nas cuecas. “Sabe, tu parece com a tua mãe...”, eu gostei disso. Sorri largo. Eu estava como ela. Era filha dela. Eu tinha de parecer ela. Perdi meu desconforto nessas frases. “Quantos anos tu tem minha flor?”, eu respondi... Mas ele não deu muita bola. Continuou com a mesma cara de meio sorriso. “Tua mãe costuma demorar?”, sabe, ela costumava demorar, então não menti. Eu queria que ele fosse embora. Ele não foi. “Olha, tu pode me ajudar... Acho que uma garotinha como você sabe se virar sozinha, e deve saber onde achar as coisas nesse lugar. Eu deixei um envelope no quartinho da tua mãe, aquele branquinho no final do corredor... Não teria como eu pegar lá?”... Eu respondia que não tinha as chaves. “Não precisa minha pequena, eu tenho uma copia aqui...”, e eu sabia que era errado, porém, era o quarto de gritar. A curiosidade quase sempre é maior que a gente. Eu o levei até a porta, pelo corredor apertado do nosso apartamento. Ele sempre nas minhas costas, como uma grande sombra. Ou uma árvore que cresceu mais que a casa. Assustadora em dias de chuva... Ele abriu a porta com uma chave pequeninha. Entrou e ascendeu a luz. Era realmente como eu imaginava. Fiquei na porta admirando aquele lugar, aqueles cheiros estranhos. Ele revirava as gavetas de uma cômoda simples. Depois embaixo da cama. Sabe, além disso, não tinha mais nada no quarto. No máximo a cortina bege que quebrava os tons de quietude... “Tu pode me ajudar aqui querida, não consigo olhar bem embaixo da cama...”, eu tive um pouco de receio. Mas acabei entrando. E foi em questão de segundos que a porta fecho e eu percebi... Dentro daquele quarto não se escutava o mundo lá fora...

Por Martins, Fernando Lucas

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O vento

Saindo para longe de mim mesma
Percorri a vida alheia
Em plena observação.
Dediquei-me a tudo,

E o tudo era o vento.
Vi o vento percorrer as avenidas,
Vi o vento nos cabelos da bela menina,
Vi o vento beijando o orvalho da manha,
Vi o vento descendo a colina,
Vi o vento em tudo.
O tudo que era vento.
E tão pouco em quase nada.
Vi o vento.
                               O vento

Por Figueiredo, Cristal

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A besta do Apocalipse

Os corpos estripados jogados pela rua
Trazem as lembranças do dia do apocalipse,
Foi quando tudo parecia normal num dia ensolarado e quente
As pessoas viviam sua vida normal,
Todos trabalhando em busca dos seus trocados pingados,
Não se importavam mais com a sua felicidade
Nem com sua existência.
Alguma noticia sobre o ultimo dia
Rolava estampada nos jornais e noticiários
Todo mundo olhava, mas ninguém enxergava
Todos descrentes do fim
Ou nem sabidos...
Foi quando bateu as sete da noite,
Talvez um pouco de mal-estar ou medo, estagnou-se na cidade
Não se sabe bem ao certo,
Quando a besta deu seu ar
Jurando o apocalipse naquele momento
Uns choravam
Outros faziam oferendas a bestas
Tentando se salvar.
Mas nada resolveria naquele momento
O fim de todos se achegava.
Os descrentes de deus começaram a rezar,
E os fieis começaram a se suicidar
Na esperança de encontrar a ajuda no seu deus distante
E inexistente.
Foi quando a besta acabou com tudo
Principalmente com a esperança de viver,
E todos morreram sem ao menos sair das suas rotinas no ultimo dia de suas vidas.
Tudo por causa da besta.


Por Figueiredo, Cristal