"A reflexão da lhama"

terça-feira, 29 de novembro de 2011

minutos para o 1º dia de março

Agora faltam exatos 5 minutos pro começo de março e meu aniversário
Aqui dentro, eu no escuro com uma lanterna
O vento sopra forte e assovia nos galhos da arvora que toca a minha janela
Ouço os cães de dona Joaquina latir sem parar
Por causa da invasão que as galinhas de seu João fizeram no pátio de dona Joaquina
No terreno baldio ao lado, adolescentes fazem suas peripécias noturnas de sábado
E eu aqui fico em silencio embaixo do cobertor
Eu conto os segundos para que seja meia noite, mas o relógio parece ter parado completamente
Na casa da dona Ana Matias esta tendo uma daquelas rodadas de canastra, onde o velharedo,
Se junta pra fofocar da vida alheia e usurpar dinheiro uns dos outros.
Aqui em casa tem uma senhora que assiste TV quase o tempo todo, ela chegou há poucos dias
Falaram-me que ela é uma tia distante, por algum lado da família pelo qual eu não lembro
Ela sofre de insônia, e passas suas noites na frente da televisão, vendo aqueles programas de pouca audiência
E decorando as mesmas propagandas de miojo, sabonete, carros e remédios.
Enquanto espero os segundos passarem, minha mente viaja lembrando-me das lendas antigas da minha rua
Como a lenda da velha que se jogou poço adentro para salvar seu gato que nem havia caído lá, e a velha acabou morrendo afogada.
Olho-me num pequeno espelho, e vejo meus olhos cansados e triste por eu não envelhecer, já que o tempo não passa.
Meu relógio volta a funcionar, após fazer umas promessas indecentes à ele,
Lentamente meus olhos vão querendo se fechar nesta noite que me cansa, e atormenta com um cheiro de sono,
Mas não da pra desistir, agora que falta só 2 minutos para envelhecer enfim
E o relógio tic-taqueia normalmente de novo, e a minha cama voa, no ultimo dos meus sonos de adolescente louca
Flutuo pelo quarto, junto com tudo que nele há
Até o chinelo de lã de ovelhas escocesas voa como avião
E de repente eu caio com tudo, na cama que cai sobre o tapete
E durmo profundamente o mais belo dos sonhos
Pois já é o 1º dia de março.


por Figueiredo, Cristal

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

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Cai a chuva morna que traz o calor de novembro
E um cheiro de grama cortada e molhada no campo iluminado pela lua cheia.
Dentro de casa a música me embala no meio da sala de estar
Um pouco de jazz e talvez até um fokstrot
Com um copo de whiskey que quase vem a transbordar sobre o bidê.

Meus pensamentos podres, invadem o ambiente solitário e fedido.
Fedido, de restos humanos jogados sobre as minhas mesas imaginárias
E restos de comida espalhadas pelo chão da cozinha após o termino da guerra
Guerra tal que jamais se ouviu falar.

Continuo fazendo a mesma coisa noite adentro
 Dançando lentamente em meio a fumaça que envolve o ambiente, e que talvez saia de mim,
E vagando em pensamentos lerdos e profundos sobre coisas que não é de costume pensar
Desde o que acontece para uma pedra cair, até as minhas teorias pra poder voar.


por Figueiredo, Cristal

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Letras

Em tudo, letras
Letras bobas
Letras suspensas
Aqui, letras acolá
Letras pintadas, desenhadas
Palavras formadas
Projetadas
Perdidas

por Figueiredo, Cristal

sábado, 12 de novembro de 2011

Amizade


A amizade é algo tão simples, e tão complexo
Tão difícil e tão fácil
Conseguimos deixar as pessoas felizes,
E às vezes causar a elas imensas tristezas.
A amizade é o mais belo tipo de amor
Que às vezes erra
E no meu caso, pode ter errado feio.
Os amigos mais fracos,
Baixam a cabeça e choram, como eu
Os fortes erguem-na e guardam sua tristeza,
Ignoram e se afastam.
A amizade às vezes nos põe diante de decisões tensas
Onde só nos resta a mesma escolha,
Os amigos.
Não quero ter muitos amigos,
Quero apenas manter os que já tenho,
Quero poder todos os dias olhar a cada um deles
E saber que são pessoas que eu realmente amo,
A cima de qualquer coisa.

Por Figueiredo, Cristal

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Criado mudo

Eu fiz de tudo tentando o que lhe chamaria atenção,
Corri, chorei, sorri e até amei
Mas você sempre pareceu tão distante, não é?
Você sempre aproveitou todas as chances de me esnobar,
E esnobou, muito.
Mas como disse para seus amigos
Eu sou como um criado mudo para você,
Estou sempre ali, à disposição
Mas nunca sou realmente útil,
A não ser para carregar nas costas o abajour de mentiras
E de lâmpadas quebradas
Que não servem pra nada, apenas para peso.
Mas eu não vou carregar o peso desnecessário,
Não por muito tempo, ou muito longe
Uma hora eu deixo de ser um criado mudo
E talvez vire alguém para você
Mas e daí?
Até lá, não adiantará de nada você ter peitos
Se você tem barba!


Por Figueiredo, Cristal

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

folha cor de rosa

A folha da laranjeira cai
Não é só mais uma folha caindo
 É uma folha cor de rosa
                                        A mais bela
Pintada com todo o amor e carinho
Por uma criança epilética
Cega
E sem as mãos
Que pintava
Com os pés e de cabeça para baixo
As folhas das árvores
Do seu jardim imaginário

Por Figueiredo, Cristal