"A reflexão da lhama"

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Caroline que amava


Caroline costumava morrer de amor
Morria de amor por seu marido
Por seu filhos e por seu cachorro.
Morria de amor apenas em pensar na palavra "AMOR".
Conhecia o amor pelo o que os outros falavam
Pelo o que os rótulos diziam
E pelo o que a sociedade queria.
Se queriam que amor fosse rosa,
Ela amava rosa,
Se queriam que amor tivesse cheiro de chocolate
Ela amava com cheiro de chocolate.
Ela amava como todos diziam que deveria amar,
Apesar de nunca ter se apaixonado.
Era fiel, caseira e boa mãe,
E um certo dia fugindo inconscientemente
Seu pensamento se apaixonou por alguém,
Alguém que não era seu marido
Ou filhos, ou cachorro,
Alguém estranho que nem saberia o nome
Mas se apaixonou e decidiu começar a viver.

Por Figueiredo, Cristal

domingo, 18 de novembro de 2012

Entre para essa igreja


Senhor, venho lhe fazer uma oferta,
Sei que você é a pessoa certa.
Feche os olhos e abra o bolso,
Aja apenas por impulso.
Por apenas dez parcelas
De tudo que tem em sua vida
você garante ao céu a sua ida.
Venha! entre para a nossa igreja
Traga sua fé e seu dinheiro em nossa mesa.

Por Figueiredo, Cristal

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Hoje acordei

Hoje acordei como as margaridas do meu jardim
Delicadas e leves apesar do mal tempo
Hoje acordei como o canto do sabiá
Suave e alegre apesar do desamparo
Hoje acordei como a muito tempo não tenho acordado
Feliz e em paz, apesar de ter de deixar algo importante para trás. 

Por Figueiredo, Cristal

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O que falar?

O que falar sobre aquilo que não nos é falado?
O que falar sobre as formas de amar,
Ou de nada sentir?
O que falar quando já não resta palavras,
E muito menos vontade?
O que falar sobre daquilo que já foi dito
E incontestado?
O que falar sem falar nada, apenas sorrindo
Ou morrendo sem suas falas.


Por Figueiredo, Cristal

sexta-feira, 19 de outubro de 2012


Sinto dores na minha cabeça
Vendo as coisas que não quero
Dormindo na pior cama do mundo

Apenas tentando viver uma vida de mentiras

Tentando ser o que posso
E sonhando com coisas que não tenho

Colocando pontos no final

Comprando coisas pra comer
Passando os dias só vivendo

Vendo a felicidade distante

Sentindo-me só 
Como um livro esquecido na estante

Ouvindo musicas que ninguém ouve

Sentindo coisas que nunca senti
Ajudado pela inexperiência da juventude

Talvez mude a maneira de interpretar

Os textos da faculdade
Mudando o jeito do professor ler

Escrevo texto do começo para o fim

E mudo a direção
Começo da direita pra esquerda, e vou na contramão

Sem esperança de encontrar um semelhante

Vou andando na multidão
Esbarrando em todos e sentido suas mãos

Todos aqueles com quem quis falar

Agora se recusam em me olhar
Preocupados com suas vidas

Tenho poucos amigos

Mas a amizade não é recíproca
Infelizmente essa é a verdade

Esse é quem eu sou

Mas não se assustem
Eu sou um cara normal

Mas é dificil 

Ser o que somos 
ignorando o que queremos ser


Por Silva, Paulo

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Falta chuva no sertão


Chove chuva de prata plástica
Chove lágrimas de alegria causadas pela dor
Chove sede e falta água
Chove vidas acabadas
Chove tudo sem chover nada
Chove inteligência dos ignorantes
Chove luz na completa escuridão
Chove tristeza nos olhos da esperança
Chove tudo, menos chuva no sertão.

Por Figueiredo, Cristal

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Inutilmente, eu


Eu que aqui estou
Cansada de pedir
E dar opiniões
Calo-me
Pois nada mais vejo
E nada mais sei

Eu que nada mais faço
Além de comer e dormir
Aqui escrevo inutilmente
Sob o olhar repressor
Dos ignorantes
Que hoje sugam
Minha boa vontade

Por Figueiredo Cristal